Entidades ligadas ao transporte defendem impeachment e recall da política

Entidades ligadas ao transporte defendem impeachment e recall da política

Setenta entidades ligadas ao setor de transportes divulgaram carta aberta à presidente Dilma Rousseff em que pedem a sua renúncia e manifestam apoio ao processo de impeachment. No documento, intitulado “Limites Ultrapassados”, dirigentes das associações, encabeçados pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), pedem ainda uma ampla reforma no modelo da política nacional.

O documento justifica que as entidades representativas do transporte de cargas e logística contataram que a paralisação da economia nacional resulta dos “graves fatos ocorridos nos últimos dias que vêm aumentando a nação brasileira aturdida”. “O setor de transportes sempre defendeu a legalidade, e continua a fazê-lo. Nos momentos mais conflagrados, tem evitado dar curso a posições mais radicais que traduzem sentimentos presentes em muitos segmentos da sociedade brasileira. Mas os últimos acontecimentos – e os muitos erros cometidos – estreitaram em demasia o campo de qualquer negociação política”, continua o texto. A carta expõe a preocupação dos transportadores sobre o que chamaram de “deterioração acelerada do ambiente político”. Para o setor, a descrença no governo Dilma deve agravar ainda mais a crise econômica que inibe investimentos, provoca o fechamento de lojas e fábricas e que têm gerado altos índices de desemprego e a disparada da inflação. Ainda conforme o documento, os limites de governabilidade foram ultrapassados e exigem uma solução rápida. “O ideal é que ela parta da própria presidente da República, com a grandeza que se espera dos estadistas nos momentos de grave crise, mediante renúncia que servirá para pacificar a nação. O poder não é um fim em si mesmo. Ele só faz sentido com o consentimento e o apoio da maioria da sociedade, o que, notoriamente, deixou de existir. Não ocorrendo a renúncia, o setor de transporte e logística passará a apoiar fortemente o impeachment, sempre com observância da ordem constitucional”, enfatiza a nota. Os dirigentes defendem ainda a reforma política e eleitoral para que “o país se liberte da armadilha do presidencialismo de coalização e o instituto do recall seja incorporado ao direito brasileiro, de modo a tornar possível o afastamento expedito e legítimo de administradores públicos e políticos que deixem de contar com a confiança e apoio mínimo para continuar exercendo seus mandatos, independentemente de terem cometido crime de responsabilidade”. Por fim, o documento condena as manobras políticas classificadas de equivocadas. “Crimes são intoleráveis, mais ainda quando cometidos por homens públicos. Mas há decisões políticas e administrativas tão equivocadas que causam prejuízos muito maiores para a população, e que, por isso mesmo, precisam ser rapidamente interrompidos”.

Fonte: radarnacional

2016-03-29